26 de setembro de 2010

O inexistente necessário

É madrugada. Ele está deitado. Ela dorme profundamente em seus braços. Ele está bem acordado, olhando inadvertidamente o teto e sentindo aquele corpo, aquele carinho extremo por ela. Uma vontade de cuidar, de protegê-la quase o sufoca. Seu olhar passeia pelas paredes e repousa no corpo dela. O desejo se intensifica. A vontade de levá-la embora, para longe, para algum lugar extraordinário, para algum lugar que mereça todo aquele sentimento. Ele a abraça forte e ela acorda. Sonolenta, ela vê embaçado, através dos olhos entreabertos, que ele está a olhar seu próprio sentimento na parede. Ela compreende. Lentamente, beija-lhe o rosto... Ele, no prazer da certeza de possuí-la completamente, olha para ela através da explosão que ocorre em seu coração. Daquele instante mágico e silencioso surge um beijo, que escorre denso pelos lençois, sujando-os de suor e medo. O toque, a textura, o cheiro, o gosto, o calor na pele e o frio no estômago. Ele a ama.