14 de junho de 2005

Bom-bons com gosto de plástico

Ela se deitou em sua cama e ficou vendo de lá as luzes de sua caixinha mágica colorida se mexer de acordo com a música, iluminando todo o quarto de forma melancólica. Ela nunca soube direito o que viera fazer aqui. Ela mataria por reconhecimento, se mataria por reconhecimento. Há dois minutos ela achava que podia alcançar as estrelas, mas, apesar de terem brilho próprio, elas eram de plástico. Sentiu um gosto amargo em sua boca que nunca passara, queria estar ao lado de alguém que a dissesse que estava tudo bem e enxugasse suas lágrimas quando ela começou a chorar. Porém ela estava perdida na casa vazia, apenas com sua ilusão presa dentro de sua cabeça. Na verdade era ela quem estava presa em sua ilusão.

11 de junho de 2005

"Sleep alone"

Amanhã de manhã vamos pegar o trem das nove e ir para algum lugar onde não nos possam encontrar. Vamos sair daqui e, ao menos por alguns dias, passear um pouco. Conhecer lugares novos, gente nova. Ver o dia ficando escuro sem que tenha toda essa luz. Vamos fingir que a vida é perfeita e nos divertir. Ir a qualquer lugar que nos faça rir descontroladamente e esquecer completamente do que somos, ao menos por algumas horas. Deixar que meu corpo e minha alma possam repousar em seus braços, sem que tenhamos de nos esconder um do outro, de nós mesmos. E num beijo... me perder no mais profundo sono, de onde acordarei sentindo o cheiro de seus cabelos, com o sol brando batendo na pele, aquecendo cada movimento-abraço feito por nós. Ouvindo apenas o barulho das coisas, a respiração de corações que já não batiam mais, fingindo que somos felizes e que amamos. Depois voltaremos pra casa com os pés doendo e a cabeça leve, e iremos dormir sozinhos, como se tudo fosse verdade.