19 de maio de 2012

Amor livre

Percorri com ele toda Freiburg. Ficamos em um hostel de vinte e uma camas por quarto durante 7 dias. Conversamos sobre todo tipo de coisa legal e despretensiosa. Passeamos em silêncio na floresta negra, tomamos porres pelos bares de estudantes e cambaleamos um encostado no outro quase sendo atropelados pelos bondes na Salzstraße. Dividimos todos os dias a mesma cama de solteiro, e pelas manhãs dividíamos um fone, ouvindo música e vendo a neve cair pela janela. Despedimo-nos com leveza: eu iria pra Berlin e em três ou quatro dias voltaria para o Brasil; ele voltaria para a Itália e depois, finalmente, para sua casa na Austrália. Sem saber se gostávamos ou não um do outro, demos um abraço um tanto estranho, sem pesar algum, logo antes dele entrar no trem. Nem uma foto, nem uma tampinha da cerveja que tomamos juntos na estação antes de irmos. Meu trem ainda demoraria uma hora pra chegar, então andei mais um pouco pela cidade tentando achar um cartão postal que valesse a pena. Não achei.