27 de maio de 2005

A conversa imaginária com um amor idealizado

Numa conversa ele descreveu seu dia para ela de forma extremamente bela. Ela tentou fazer o mesmo, como num belo filme, no qual as câmeras focalizam tudo na hora certa e tudo parece mágico, mas ela não conseguiu; ela não soube dirigir seu filme. Ele disse que a beleza está nas pequenas coisas e ela concordou, entretanto ela não havia vivenciado para compreender. Para ela pequenas coisa eram apenas pequenas coisas, não conseguia ver além disso. Foi então que ela percebeu que suas mãos estavam vazias e que ela não tinha nada a dar àquele generoso garoto que a ensinava dirigir sua vida. A trilha sonora estava ali e os acontecimentos ocorriam de acordo com que se tornavam passado, a cada microssegundo. Mas ela não podia sentir seus braços envoltos na barriga dele, deitados na cama vendo as estrelas pregadas no teto, sentindo o cheiro das coisas. As mãos dela ficaram tremulas, sentiu que tudo era uma farsa; que o cabelo que ali estava sendo acariciado era nada mais do que um favor. Ela não podia ouvir o coração dele, nem dormir em seus braços, mas ele conseguia fazer com que tudo aquilo se tornasse mágico, sem nem mesmo estar. Ela sabia que era uma farsa, mas queria a qualquer custo vivenciá-la.

15 de maio de 2005

A bailarina da corda bamba

Ela subiu sem nenhuma sutileza e começou a se equilibrar na corda. Todos lá embaixo a olhavam com olhos de dúvida, mas ela ia bem, sofreu alguns desequilíbrios, mas ia bem. Com muito esforço ela conseguiu chegar até um ponto louvável da corda, porém houve um momento em que ela percebeu algo estranho, um peso em suas costas. Prestando mais atenção ela conseguiu saber que eram asas, mas ela não as podia ver; era uma ilusão. Ela tentava se concentrar, mas as asas pesavam e pareciam muito reais. Chegou uma hora em que ela não agüentou mais: ela já estava quase na metade da corda e sabia que qualquer desequilíbrio a derrubaria; suas asas eram de mentira e ela sabia disso, mas a vontade de sentir seus pés livres era grande de mais para suportar. Ela quis voar e acabou fazendo de toda a sua luta uma perda. Eles fofocavam lá embaixo: "como ela pode desistir por um motivo tão besta?". Parecia que só ela sabia o significado de tudo aquilo.