27 de maio de 2005

A conversa imaginária com um amor idealizado

Numa conversa ele descreveu seu dia para ela de forma extremamente bela. Ela tentou fazer o mesmo, como num belo filme, no qual as câmeras focalizam tudo na hora certa e tudo parece mágico, mas ela não conseguiu; ela não soube dirigir seu filme. Ele disse que a beleza está nas pequenas coisas e ela concordou, entretanto ela não havia vivenciado para compreender. Para ela pequenas coisa eram apenas pequenas coisas, não conseguia ver além disso. Foi então que ela percebeu que suas mãos estavam vazias e que ela não tinha nada a dar àquele generoso garoto que a ensinava dirigir sua vida. A trilha sonora estava ali e os acontecimentos ocorriam de acordo com que se tornavam passado, a cada microssegundo. Mas ela não podia sentir seus braços envoltos na barriga dele, deitados na cama vendo as estrelas pregadas no teto, sentindo o cheiro das coisas. As mãos dela ficaram tremulas, sentiu que tudo era uma farsa; que o cabelo que ali estava sendo acariciado era nada mais do que um favor. Ela não podia ouvir o coração dele, nem dormir em seus braços, mas ele conseguia fazer com que tudo aquilo se tornasse mágico, sem nem mesmo estar. Ela sabia que era uma farsa, mas queria a qualquer custo vivenciá-la.