1 de novembro de 2005

A verdade

Nem mesmo sabíamos o que queríamos de nós, tudo vinha tão automático em nossas mentes que mal podíamos explicar o que sentíamos. Nós não estávamos embriagados da felicidade, nem mesmo tristes, talvez pasmos com tal verdade que cobrira nossos olhos. Monotonamente chateados por enxergar que nossa eureca já havia sido descoberta antes com beleza e simplicidade tão supremas, que sentimo-nos envergonhados. Olhávamos um para o outro e não conseguíamos explicar o que havia acontecido. O brilho nos olhos ainda estava ali, mas significava mais que nada apenas. Em nossas monótonas vidas, que um dia foram mais monótonas, sentíamos a liberdade nos prender com cordas de aço e afastar-nos uns dos outros, mas ainda amando. A tristeza, ao mesmo tempo que parecia vir verdadeira, era falsa e confortante, tal qual a felicidade. A beleza das coisas vinha em nossas mentes de forma inconsciente e ilusória. Agora tentávamos olhar o feio e encontrar nele algo novo para nos refugiar, pois a beleza se tornara chata.