31 de março de 2012

Uma história sem começo

Ao contrário
abismo ao contrário!
As palavras não dão mais conta desse sentimento invertido
       da peste
Ele é o avesso do infinito,
reverso da paixão de uma criança pela mãe!
Implosão de fogos de artifício entrando pra dento do peito
e o mundo todo socando o infinito pra dentro da gente 

Como é que eu vou dizer isso que eu tenho pra dizer?
Não sei nem como começar 
A verdade é que o lápis me condena
Não sei ao certo como dizer
Mas o lápis me sufoca

Na real, essa história não tem começo,
ela só tem fim: 

26 de março de 2012

Desejo de infinito

Me cansei de esperar pela vida; ela não virá. Um dia quis ser levada pela vida como pelos braços do homem que nunca amei. Mas se não dá pra ter nem um homem pra amar, como é que dá pra ter uma vida que nos leva? A vida não leva ninguém. Se o Heidegger tivesse em vez de ter se envolvido com o nazismo, envolvido-se com o alcoolismo, ele saberia muito bem disto: manda quem obedece, porém só vive quem deseja o infinito. 

20 de março de 2012

Deixa o samba morrer

Entenda bem: se você não mora no morro você não é sambista, meu rapaz. Esquece o samba revival! Deixa o samba morrer!

16 de março de 2012

Compromisso

Numa noite escura de um verão infernal fiz um compromisso com a solidão através dos olhos vazios de um rapaz. Desde então saio pra festejar o nada, caminho pelas ruas sozinha. Não sei pra onde vou e mesmo assim espero ainda algo encontrar. Luzes respiram minha alma, fumam e bebem minha eterna solidão em tragos fortes. Meios-fios cambaleiam em minhas pernas. E o luar... o luar que não se vai. O infinito me persegue pelos becos até eu me perder embriagada dentro um bar qualquer onde uma menina olha um grupo de homens jogar sinuca. Minha alma se esvai com a dela pela caçapa, chega até a gaveta num barulho e a gente respira. "Onde está a vida!? Onde está a vida!!?" Pergunto desesperada para o cara ao lado. (Pausa) A verdade é que dei um trago longo de mais... Só os fumantes e alcoólatras podem entender.

4 de março de 2012

Winterkurs

Diese winter kam wie ein starker Wind
Wir könnten nicht erwarten
Er kommt ohne Frage, stark und geschwind
Drängte sich in Haus und Garten

Und die Bäume tanzen mit dem Wind die Melodie,
die ich niemals schrieb

Jetzt kommen wir züruck nach Hause
Unserer Herz ist voll und das Leben leer
Was machen wir mit dieser Welt?