29 de novembro de 2010

Mau conselho

Arrependimento
Intensidade
Medo
Burrice
Perder uma frase inteira
Perder a cabeça na estrada passada

Uma frase inteira não diz nada
O que diz é uma frase pela metade
O que vale é ter o sangue quente
Fazer as coisas erradas no momento certo

(Gabriela, Danilo Ferraz e o resto da vodka)

Vitória, 2.../11/2010 

27 de novembro de 2010

Gretas e loucuras

Na greta de alguma madrugada louca que navegava dentro de um copo de vodka, a loucura conseguiu me agarrar pela gola, me dar um beijo ardente na boca e me soltar quase afogada numa nuvem de fumaça que rondava meu apartamento sombrio e solitário de sonhos e desejos à luz de velas. Agora nada mais faz sentido como antes, e a minha brincadeira é conseguir lidar com a despersonalização que existe na lembrança de cada lance em que a loucura me assalta. Que fazer agora!? Que fazer?...

23 de novembro de 2010

Para lembrar que não quero esquecer

Quero ser o topo da árvore mais alta da mais densa floresta
Quero ser o infinito dentro do sentimento de uma paixão infantil
pelas cores de uma praia longínqua e deserta
Quero voar no vento de uma cidade fantasma esquecida
Cambalear seca no céu de uma folha de outono
despendurada por um ventania invertida

Ah! Alma secreta, cheia de embriaguês e pendências
No vapor que sai do bule do café em mim te condensas
Cambaleias em meu coração desritmado e impaciente
Dentro da lembrança meloancólica de um intenso sol poente
Tu és uma vontade amarga e congelante
Uma dor que a tudo que há de mais cruel é aspirante
Destruíste-me na inapreensibilidade do teu caminhar

Desisto de ti porquê desististes de mim; e só por isso. Desisto de ti para conseguir não querer esquecer-te... pois se conseguisse incorporar a vontade de não te querer mais, estaria negando... negando sabe-se lá o que que não consigo viver sem.

Espero um dia nunca entender...

22 de novembro de 2010

Primeiras rimas

De tanto ouvir a vontade dos outros
e esquecer das minhas mesmas
quase sufoquei meu coração cambaleante
apaixonado de tristeza

Mas hoje digo com orgulho:
"o meu lugar a mim pertence"
por isso, mesmo triste, estou assim
de corpo inteiro sorridente

Com muitos sonhos e paixão
agora faço minha estrada
arriscando, pela primeira vez
algumas estrofes rimadas

19 de novembro de 2010

Saudade e proximidade

Não quero te descobrir
Quero te manter como um segredo intocado
Distante o bastante para estar sempre muito próximo.
Não quero ter tempo para aprender como você é ou do que você gosta
Mas tempo para esquecer do seu toque
e poder sentir falta de lembrá-lo.
Quero manter a distância perfeita que permite eu sempre pertencer a ti.
Quero ter saudade de lembrar do seu cheiro
e ser obrigada a te procurar, mais uma vez, para senti-lo em você
e, no outro dia, em meu travesseiro.
Quero-te distante, distante o bastante para que eu possa
sempre
estar contigo
completamente...

16 de novembro de 2010

O caos

A casa e os dias vazios. A luz entrando pelas frestas. O estômago sempre cheio desse bolor inútil da esperança. O sonho fino e corrosivo. O céu escuro a se esconder por de trás das cortinas, a me esperar, chamar-me. Como é in-viável ser um sonhador... As ruas a guardarem segredos. As possibilidades. O inconcreto e inexpressável de ser. A eterna facada que ficou em minhas costas. O copo de vodka com gelo. O beijo na chuva. O abandono. A falta. O caos completo, a total falta de sentido. Tenho que partir; preciso... E essa vodka que não acaba, e o cigarro que permanece. O silêncio. Não foi dessa vez que te encontrei. Estou só, completamente só. Mais uma dose, por favor, e uma caixa, de fósforos. Obrigada.

4 de novembro de 2010

O permanecer

A indiscutível coesão do instante extraordinário e absurdo de sua presença me corroe com mãos nômades e bêbadas na localização desenraizada, infundamental e abissal da possibilidade do que está. Enquanto isso, a volatibilidade de tudo entranha no real e se concretiza como inconcretude da proximidade, tudo isso no olhar pesado e denso deste momento louco, mágico e distante que é o seu estar-aqui. O limite da pele, a distância perfeita e imanente, você demorando na inescapável constância do meu sentir-te que te desperta-me para a existência de tudo que há de mais externo, extremo e ilimitado. Permaneço.

3 de novembro de 2010

Uma indiscrição

Nasceu a possibilidade de um texto quase indecente da vontade insistente, impaciente e indiscreta que tenho de ti. Inconcretizado, o texto permanece latente, no aguardo; no aguardo ardente de seu toque e da própria desrealização como possibilidade de texto e realização como concretude de um ato preciso e completo. Enquanto isso, fico aqui, acanhada e envergonhada desse desejo descabido. Desculpe-me, mas acontece; essas coisas, acontecem...

A possibilidade

Era verão, você estava deitado na borda da piscina. Não conseguia se levantar de tão bêbado. Mas ainda assim fumou um cigarro. Quis deitar no meu colo, e eu o permiti - não era para fazê-lo, mas permiti. - Seus gestos de mão, cambaleantes e ilimitados; a expressão séria e debochada, ciente, ciente da minha fragilidade. E eu ali, tentando me fazer longe, forte: dentro de mim um turbilhão, a mais densa e cinzenta tempestade; o mais profundo, voraz, obscuro e impetuoso oceano. Minhas mãos, escorando-me na beira da piscina, mas com a vontade em ti. E tudo era proibido de mais ali, e era isso o que ali me segurava. A imprecisão daquele instante absurdo, com sua cabeça repousada sobre minhas pernas, a olhar, e olhar, e olhar, sabe-se lá para onde... Você me tirando pra dançar, se aproximando bruscamente, olhando-me com firmeza nos olhos; a aflição do primeiro beijo, os cantos escuros da cidade; os cigarros divididos, o carinho, o grande carinho; o abraço incomum e absurdo na hora mais exata; o olhar o teto junto, o cheiro do café fresco... todas lembranças do que nunca aconteceu, dentro daquele instante perturbado, indiscreto e perfeito. A vontade de minhas mãos passeia por você, mas permanecem no chão, eternamente a me escorar e suportar a vontade de meu corpo e meu corpo tendo sua cabeça a me despertar... Você não sabe, não faz nem idéia...