Era verão, você estava deitado na borda da piscina. Não conseguia se levantar de tão bêbado. Mas ainda assim fumou um cigarro. Quis deitar no meu colo, e eu o permiti - não era para fazê-lo, mas permiti. - Seus gestos de mão, cambaleantes e ilimitados; a expressão séria e debochada, ciente, ciente da minha fragilidade. E eu ali, tentando me fazer longe, forte: dentro de mim um turbilhão, a mais densa e cinzenta tempestade; o mais profundo, voraz, obscuro e impetuoso oceano. Minhas mãos, escorando-me na beira da piscina, mas com a vontade em ti. E tudo era proibido de mais ali, e era isso o que ali me segurava. A imprecisão daquele instante absurdo, com sua cabeça repousada sobre minhas pernas, a olhar, e olhar, e olhar, sabe-se lá para onde... Você me tirando pra dançar, se aproximando bruscamente, olhando-me com firmeza nos olhos; a aflição do primeiro beijo, os cantos escuros da cidade; os cigarros divididos, o carinho, o grande carinho; o abraço incomum e absurdo na hora mais exata; o olhar o teto junto, o cheiro do café fresco... todas lembranças do que nunca aconteceu, dentro daquele instante perturbado, indiscreto e perfeito. A vontade de minhas mãos passeia por você, mas permanecem no chão, eternamente a me escorar e suportar a vontade de meu corpo e meu corpo tendo sua cabeça a me despertar... Você não sabe, não faz nem idéia...