22 de fevereiro de 2013

Final do livro

Nada acontece. Nada acontece. Nada acontece. Nada acontece. Nada acontece... Hendrix está certo: as palavras são brandas de mais.

Nada acontece

Acordo, dia quente. Vejo o teto. Nenhuma imagem. Ou melhor: nenhum representação mental. Nenhuma praia. Nenhuma noite iluminada, nenhum beijo. Vejo o teto mesmo. Nada acontece. Levanto. Bebo dois copos d'água. Olho da janela: o mesmo pé de manga. Pego os livros; não consigo lê-los. Pego a viola; não consigo tocá-la. Toco Dylan na gaita. É divertido. Dou uma volta pela cidade. Retorno. Deito na cama. Vejo o teto. Nada acontece. Coloco uma música. O celular parece tocar, mas não. Cochilo. Levanto. Noite. Saio. Supermercado, cerveja, padaria, cigarro calçada poste casa copo cinzeiro mesa sento bebo toco fumo. Nada do que sei. Nada do que quero. Bêbada. Durmo. Nada acontece.

Meu novo hobby

Nos encontrarmos por acaso numa tarde. Fazia anos que não nos víamos. Você disse que eu estava diferente. Fomos até a sua casa pra você me mostrar as músicas que estava fazendo. Os móveis não estavam no mesmo lugar de antes. Você me mostrou suas músicas, e também algumas outras de bandas que eu não conhecia. Eu mostrei as músicas que tinha no celular. Não gostei das suas músicas. Você não gostou das minhas. Nós saímos e tomamos sorvete. O sorvete estava sem gosto. Você me contou sobre o que andava fazendo, eu também; um pouco. Você disse que meu novo “hobby” é a solidão. Eu não tinha o que dizer pra você, e eu não queria tentar facilitar o início de uma conversa que não daria em nada utilizando o álcool da cerveja que eu poderia te convidar pra tomar. Falei que tinha que estudar e fui embora pra casa ouvir música.

19 de fevereiro de 2013

Bad moon rising


Trabalho, bad moon rising do Sonic Youth tocando ao mesmo tempo em que termino um artigo. Ser e Tempo diz: “Se esse fenômeno é tomado na fundamental originariedade e amplitude, resulta então a necessidade de buscar para a linguística fundamentos ontológicos mais originários.” Café. Andar pela minúscula sala para lá e para cá, para lá e para cá, para lá e para cá, para lá e para cá. Halloween rolando agora (a música). Mais café. Ser e Tempo a minha frente. A linguagem pode ser meramente um algo que usamos como as outras coisas? Não pode. Não vê!?  Olha só, agora mesmo ela não podendo ser... Café. Não é fácil: a linguagem. As palavras são brandas demais? Ou nós embrandecemos as palavras? Evol agora; shadow of a doubt. FILHOS DA PUTA! WORDS ARE SO BLAND! Isso está certo! Mais café. Parem a pesquisa! PAREM! Isso deve parar, tudo deve parar para ouvir essa música, agora! O mundo inteiro deve absolutamente parar completamente tudo o que está fazendo para ouvir isso, agora! AGORA! O pior de tudo é que eu não usei nenhum tipo de drogas. Isso é realmente — real. Incrível...