27 de abril de 2011

Ein Lied für das Immer

Du bist immer hier
auf der Zeilen des Papier
zwischen Buchstaben des Buch
wo stütze ich meinen Fuß

Aber, wer bist du?
Sag mir bitte, wer ist du?
Ah, wo bist du?
Hier, weiß ich, aber wo...?

Ich hab' Sehnsucht nach dier
aber wie? du warst immer hier...
du bist das Licht unbemerkt
Gedicht, dass man nicht versteht...

24 de abril de 2011

Sentido e meta

- Não tem pra quê, não é assim que a coisa funciona. Não há um grande sentido nas ações, as ações têm seu sentido nelas mesmas, na simplicidade de sua ocorrência. Você tem que antes estar certo daquilo que faz pra não precisar desse tipo de pra quê. Se faz uma coisa porquê se faz, porquê se gosta de fazê-la, ou simplesmente porque se tem de fazê-la. 

- Mas isso não é ser ingênuo, não é até mesmo querer algo que não se pode ter? Pois, pelo que vejo, é tudo movido por um projeto, uma meta.

- Veja bem, o pra quê que você fala é um sentido com uma grande meta. Vejo que existem metas e metas, projetos e projetos. Se meta mostra depois, posterioridade, além, e projeto, pro-jectu, jogar, lançar adiante, para frente, então isso não significa apenas uma finalidade a ser atingida, e sim apenas palavras que remetem a noção de que sempre há um "para um depois do aqui e agora". Temos que entender essa meta como a possibilidade da continuidade do durante, e não algo que determina o durante e o enclausura no estático, pois, na verdade, o durante é que determina o rumo, o sentido da meta, e não o contrário. Caso se coloque o futuro como determinação do presente, se enclausura o presente em algo que tem de vir, e tudo que estiver nesse presente e não fizer parte desse ter de vir, será sentido como inútil e sem sentido. É necessário aceitar o durante das ações para aprender a viver sem Deus, ou seja, viver sem um sentido para uma grande meta. A meu ver, a assunção da morte de Deus é a assunção da simplicidade do viver, a transferência da "ação para Deus" para a "ação no mundo". E isso é muito mais complicado do que parece, pois agir no mundo não é também agir do modo que se bem entende, pois fazer isso é ainda querer contestar Deus de alguma forma, e ainda necessitar de sua existência. Agir no mundo é estar na aptidão de agir de modo coerente não só com nossa vontade, mas com a conjuntura na qual estamos. É quase uma união do necessitar, querer e ser capaz. Talvez o dever seja exatamente essa união, pois o que se deve é querer aquilo que ao mesmo tempo se necessita e se é capaz. Acho isso o mais difícil. Só com a união de capacidade, possibilidade e necessidade há uma ação completa, a qual se faz por prazer e por dever ao mesmo tempo, na qual se quer aquilo que se deve.

16 de abril de 2011

Moralismo e bom-senso

Existe uma linha tênue que separa o bom-senso do moralismo, a qual somente aqueles de bom-senso serão capazes de identificar e experienciar. Os moralistas, sejam eles "conservadores" sejam eles "liberais", nunca chegarão perto de desconfiá-la; pois afinal regras rígidas de mais são, claramente, moralismo, mas ocultamente, e por isso de maneira muito pior, o "tudo pode" também o é. No caso, o "tudo pode" é um somente um moralismo burro, sendo que o "conservadorismo" é só um moralismo medroso, que muitas vezes tem que apelar para a "inteligência". Por isso Aristóteles é o rei da ética e da virtude, pois jamais separou, ao menos na ética, teoria e ação e, exatamente por isso, sabia muito bem que a grandeza está no saber existir nos meios-termos... Sendo assim, o "tudo pode" é somente a burrice daqueles que não sabem estabelecer medidas, enquanto regras muito rígidas é somente a tentativa frustrada de defesa daquele que não sabe lidar com o perigo que aí sempre está. Por isso também, o corajoso é o forte-inteligente, e o inteligente é o que tem teoria e ação dentro de uma mesma coisa, que agora chamo: bom-senso. E por isso também, o pensador é aquele que fica no durante das coisas e das idéias, e o artista, aquele que dança no mundo como se este - tivesse alma...

8 de abril de 2011

Autenticidade do tédio

Só se sabe o quão difícil é suportar o tédio quando se tem noção da a extrema vontade de estabelecer para ele uma causa concreta, mas ao mesmo tempo se sabe também, como um bom investigador de si, que não se deve fazê-lo; pois se vê claramente: ele pertence a algo outro, é um sentimento referente não à falta de algo que exista de fato, e sim a um vazio abismal que quer ser preenchido, mas que simplesmente não pode sê-lo... 

5 de abril de 2011

Quase e seus tempos: uma homenagem a Mário de Sá-Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo ... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se enlaçou mas não voou...
Momentos de alma que, desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém..."

(Mário de Sá-Carneiro)

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"Um pouco mais de sol - eu era brasa / um pouco mais de azul - eu era além". Veja, o tempo usado: pretérito imperfeito. Por que não usa o futuro do pretérito?: eu seria brasa, eu seria além? De acordo com as regras gramaticais seria este o tempo a ser usado, já que ele, com a frase, dá a entender que caminha pela possibilidade de algo que aconteceria caso algo outro tivesse possibilitado. Mas não, usa justamente o pretérito imperfeito, propositalmente, para frisar algo. Mas frisar que? O pretérito imperfeito é o tempo que indica um período do passado que já passou e acabou completamente. "Eu era uma criança": ou seja, durante uma época da minha vida eu fui criança, mas já não sou mais e absolutamente não posso mais sê-lo. "Eu vendia frutas": não vendo mais. Não é como: eu vendi frutas e ainda posso vendê-las. Esse é um tempo que, claro que não sempre, mas na maior parte das vezes, indica algo que aconteceu num determinado espaço de tempo, já se findou e não retornará. Então, ele poderia querer se referir ao fato de que não somente há algo impossibilitador de seu ser-além, mas principalmente que esse algo, em uma determinada época, pode possibilitar esse ser-além, só que já passou e não pode possibilitar mais de forma alguma no presente: que a possibilidade de seu ser-além já se encontra num passado imperfeito: num determinado lugar cronológico do passado: algo que teve início, meio e fim e não retornará, a não ser como a vontade cruel e nostálgica daquilo que poderia tê-lo levado além. Ou seja, ele despresentifica a possibilidade que existe no futuro do pretérito. Ou seja: "um pouco mais de azul - eu seria além" pode significar: ainda há a possibilidade de se ter um pouco mais de azul; mas quando ele troca o tempo pelo pretérito imperfeito, ele anula completamente essa possibilidade e a coloca no campo de uma impossibilidade presente, sem deixar de mostrar que é a impossbilidade de algo que poderia ter acontecido. E podemos ainda jogar com a palavra passado imperfeito num sentido mais "literal", já que algo aconteceu em seu passado e o tornou um ser imperfeito: seu passado, que-não-foi-per-feito, tornou-o um alguém que não conseguiu ir além. No entanto, ao meu ver, mais imperfeito que o pretérito imperfeito é o futuro do pretérito. Tempo maldito, como já disse uma vez: o tempo daquilo que um dia teve força para ser mas que não conseguiu vingar, e que agora é somente como possibilidade daquilo que seria mas não é. Porém, ele, nessa frase espetacular, conseguiu juntar o futuro do pretérito com pretérito imperfeito, dando a sensação de futuro do pretérito através da estrutura da frase e, no entanto, colocando propositalmente um verbo no pretérito imperfeito exatamente onde a regra pede um futuro do pretérito. Ele usa a regra pra fugir da regra e criar uma nova sensação de tempo, uma nova medida; é coisa de gênio, coisa de gênio!  Desse modo, ele consegue juntar a melancolia e nostalgia que reside no futuro do pretérito com a sensação de impotência e impossibilidade que existe na ação cronologicamente determinada e findada que existe no pretérito imperfeito. É coisa de gênio, repito, coisa de gênio! Não bastasse isso, no final ele muda o tempo: "mais um pouco de sol - eu fora brasa/ mais um pouco de azul - eu fora além"; pretérito mais-que-perfeito, o passado de algo que não somente passou, de algo que não só já foi concluído, mas que inclusive se encontra para antes do que já terminou completamente: algo que se encontra para além do passado. O possibilitador de seu ser-além já está para além de um passado: é um passado mais do que selado, um passado mais do que passado. Desse modo, esse homem consegue juntar três tempos!: o pretérito imperfeito, o futuro do pretérito e o pretérito mais-que-perfeito; tudo numa mesma frase! Dá assim, além de tudo, a sensação de que a impossibilidade de seu ser-além é ainda anterior que qualquer coisa que tenha acontecido e se tenha findado. Ele joga para um passado remoto a possibilidade de seu ser-além: se mostra longe dela, quer mostrar que ela é impossível e remota... É genial, mal posso acreditar quando leio! Um dos poemas mais belos que já se conseguiu e conseguirá escrever. É de uma sensibilidade extrema, de uma lucidez assustadora! Um homem que enxergava sua condição sem medo, que tinha força o bastante para ser um gênio, e o foi, mas que não conseguiu ir além. E no final, como frase derradeira ainda deixa para nós a deixa: "se ao menos eu permanecesse aquém..."; que está no imperfeito do subjuntivo, e que usa a poderosa partícula de possibilidade "se"... O grande problema é que esse poema me liberta naquilo que não me posso deixar ser! Senão, eu o gravaria com sangue - a ferro, vidro e corte - nas paredes de todos os lugares em que me fosse possível.  

1 de abril de 2011

Eterna convalescença

- Eu tenho tido vontade somente de estudar, estudar, estudar... mas, ao mesmo tempo, não consigo fazê-lo completamente: por muitas vezes sento para ler, leio uma ou duas páginas e então começo a vagar pelos mais diversos pensamentos. O texto do Van Gogh ainda me toca, muito, e me sinto exatamente como ele o descreve: uma ave enjaulada, que têm força para empreender algo, mas que, por algum motivo, não é capaz. E, exatamente como ele fala, falta-me as ligações, as ligações com as pessoas para que eu consiga de alguma forma me ligar completamente ao mundo e me libertar nisso que tenho força-para. E isso tudo pode ser apenas devaneio, o falar de um alguém que se perdeu completamente e já não consegue achar mais qualquer coisa que seja: sim, pode ser isso; por isso me sinto na obrigação de não deixar ser assim. Mas como fazê-lo? Como empreender algo quando vivemos em um tempo onde de tudo se descrê, num tempo em que a vontade de empreender algo é considerada uma falácia teórica, um a-senso!? Esses dias comecei a escrever um conto: era o conto sobre uma grande idéia, sobre a assunção da superação como algo constitutivo, sobre a assunção da simplicidade e da solidão; mas não consegui terminá-lo, não pude terminá-lo, pois quase sempre sinto não ter força para o fim. O conto oscila entre dois personagens: um que não conseguiu assumir a simplicidade do viver, e outro que conseguiu; mas um personagem aturde demasiadamente o outro, mesmo eles estando tão distantes: são dois polos de uma mesma coisa, são posições diferentes que moram dentro de um mesmo sentimento: o sentimento que alguma vez chamei de sentimento de abismo. Eu mesma sou a eterna oscilação entre esses dois personagens, e tenho medo de que a parte fraca venha a vencer. Sabe... é como se houvesse a meta, como se eu soubesse exatamente para onde devo mirar, mas o arco não está teso: está frouxo, frouxo como uma corda que, apesar de muito forte, está pouco estirada e não consegue lançar a seta mais do que três passos adiante. Já não sei mais o que fazer e a cada vez sinto-me mais e mais fraca. É como se depois da morte de Deus tudo que fosse grande e misterioso perdesse completamente o crédito. Mas eu, que já não creio em Deus, não consegui me desvencilhar da vontade da existência de algo grande e misterioso. Talvez devesse me desvencilhar, e foi a isso que convenci nesses últimos tempos: que deveria me desvencilhar. No entanto, isso me enfraqueceu de tal forma que mal posso suportar. Esses dias vi um filme que forjava mais ou menos isto: um homem perdeu todas as relações com as pessoas preciosas para ele e, tentando se rerguer de alguma forma dessa situação, conseguiu não o sucesso, e sim se perder completamente, perder até mesmo o pouco que ainda possuia; esse homem, nesse inferno niilista em que entrou depois disso, aprendeu a ser grande. No entanto, ele termina como Van Gogh: morto jovem; e nem na hora de sua morte consegue ter paz, pois matam até mesmo o abismo, a única coisa a que ele ainda se detinha. Mas ao menos esse homem conseguiu sua grandeza, assim como Van Gogh; já eu, sinceramente, sinto-me exatamente como naqueles versos de Sá-Carneiro: "um pouco mais de sol - eu era brasa, um pouco mais de azul - eu era além". Veja, o tempo que ele usa: o pretérito imperfeito... o passado - imperfeito. Mas diria até mesmo que "eu seria brasa", que "eu seria além". E mesmo tendo certeza da minha grandeza, não consigo empreendê-la completamente, mas somente pelas metades, pois faltou-me um golpe de asa. Na verdade, falta-me; no presente... (Pausa) Mas não! É desse poema que fujo, fujo dele como o diabo da cruz! É dele que tento e tentarei fugir minha vida inteira, e é a partir dele que um dia conseguirei transformar minha profunda miséria em algo que ao menos seja inspirador, como disse Vincent. Esse poema me liberta naquilo que não me posso deixar ser! (Longa pausa) A verdade é que o golpe de asa que me falta é um abraço. Na verdade, agora percebo, cada escrito meu até hoje guardou em si - um abraço...