Ela subiu sem nenhuma sutileza e começou a se equilibrar na corda. Todos lá embaixo a olhavam com olhos de dúvida, mas ela ia bem, sofreu alguns desequilíbrios, mas ia bem. Com muito esforço ela conseguiu chegar até um ponto louvável da corda, porém houve um momento em que ela percebeu algo estranho, um peso em suas costas. Prestando mais atenção ela conseguiu saber que eram asas, mas ela não as podia ver; era uma ilusão. Ela tentava se concentrar, mas as asas pesavam e pareciam muito reais. Chegou uma hora em que ela não agüentou mais: ela já estava quase na metade da corda e sabia que qualquer desequilíbrio a derrubaria; suas asas eram de mentira e ela sabia disso, mas a vontade de sentir seus pés livres era grande de mais para suportar. Ela quis voar e acabou fazendo de toda a sua luta uma perda. Eles fofocavam lá embaixo: "como ela pode desistir por um motivo tão besta?". Parecia que só ela sabia o significado de tudo aquilo.