18 de setembro de 2010

O futuro

O futuro não é algo que se possa dominar, que é possível fazer acontecer exatamente de acordo com nossas vontades; ele não consegue se sustentar apenas como conseqüência de um plano, ou uma meta a ser atingida. O futuro é o baú que guarda os mistérios mais secretos, ele é a magia do indeterminado que fornece forma, esperança e desejo ao presente. Ele é o inexistente mais necessário, a possibilidade do nascimento de todas as possibilidades, da criação e do novo; ele é o suporte da possibilidade do contínuo. Nele está guardado o inesperado e o perigo, o acaso a ser recolhido com pudor e mistério. É preciso ter cuidado e pudor para com o futuro, caso contrário a esperança e os desejos nos abandonam e, assim, nos tornamos tristes e sem força, sem futuro mesmo. É preciso desejar o futuro como uma criança deseja um arco-íris: desejá-lo como algo puro, belo, longínquo, extremamente querido, guardador dos segredos, magias e fantasias mais extraordinários; desejá-lo como algo que deve se manter sempre distante, que deve ser sempre uma imagem intocável; desejá-lo como o desejo do impossível que aparece lindamente no céu veronesco a embelezar o dia com seu poder hipnótico de cores e sonhos. Possuo o futuro apenas não o possuindo, e sua beleza está em sua inapreensibilidade, incerteza, inesperado e mistério. Sinto agora sua força em mim, e, mesmo estando extremamente desiludida e triste, sei que com ele o inesperado ainda me persegue, que ainda não sei de tudo e, por isso, ainda é possível viver.