A natureza existe em mim de um mesmo modo frágil e corajosa; paradoxo sou eu, e não me entendo. Corro livre na beira do abismo: este é o meu modo de enfrentar a fragilidade; dôo-me ao medo, resistindo, e retorno rejuvenescida. A dor de agora é a ponte para o amanhã, pois ela é a mudança e o impulso para o novo e para a superação; ela permite o vindouro, pois, “o futuro nunca vem quando o passado é sempre o mesmo”. Por isso sou grata à dor, e gosto dela mesmo não gostando de estar com ela. Que sou eu sem a dor? Pois, sou o que tenho, mas igualmente sou eu a dor pulsante do desejo pelo que não tenho e quero ter. Sou tudo o que me torna intensa, inteira e única. Tenho lágrima nos olhos agora... necessito de um abraço... por favor, um abraço... O homem não tem medo da efemeridade, ele tem medo é da eternidade, pois esta jaz em cada momento milagroso de intensidade e inteireza, momentos esses que são, ao mesmo tempo, extremamente necessários e totalmente voláteis, fugazes, incompreensíveis, inseguros, arredios: o homem tem medo desses momentos, pois sabe do perigo e da dificuldade de estar neles e de, depois, estar sem eles. Ponho-me à beira do abismo, abro os braços e sinto: não sei viver só, e isso é ─ completo! Derramo-me na realidade, entrego-me totalmente a esse esplendor que é viver, mas, no instante seguinte, retorno ao horror e ao medo. Deus está no instante em que me elevo!