18 de setembro de 2010

Lembranças

As luzinhas do pisca-pisca coloriam o ar, a casa, a vida. E eu estava naquele sofá velho, o chão de madeira encerada refletia todas aquelas cores. Por que toda essa intensidade? Por que essa força poderosa vinda de dentro de mim? Uma força aguda, quase dor, e com intensidade e beleza tão... absurdas, que... não sei. Uma força quase dor... Talvez uma força-dor, uma força-dor pela beleza e simplicidade demasiado complexa da vida, pela simplicidade complexa do sentir. O pisca-pisca pisca e colore, colore minha respiração, sinto-o colorindo minha pele, tocando meu corpo e me enfeitiçando. Toda essa força é pelas cores, pelo chão encerado, pela árvore de natal, pelo sofá velho? É pelo que essa força? Que força é essa, vinda do coração, bem no coração? partindo dele, nele e para além dele? Por que possuo esse momento hoje mais do que naquele dia? Por que possuo essas luzinhas hoje mais do que quando eu estava realmente a vê-las do sofá velho em cima do chão encerado?  Por que sinto o passado com mais intensidade quando ele se torna uma lembrança? É lindo possuir esse momento quase inexistente, a coisa impregnante e volátil que é essa lembrança: senti-la com todo esse vigor e beleza; mas o que é isso? Que coisa é essa de sentir um momento com mais vigor quando ele já não é mais? Como pode um momento vigorar mais quando ele já não é? Não sei... Só sei que é lindo. Paro agora, lembro, sinto, o mundo me toma com essa lembrança, sou livre...