26 de julho de 2011

O não anti-metafísico

Talvez exista um tipo de metafísico que pouco se importa com o que lhe convém. Ele não está muito aí para a superação ou para o "não ser metafísico". Talvez seja aquele que tem a vontade de verdade e o esquecimento do "ser" como sua morada, e neles mora como um andarilho que, apenas de vez em quando possui uma casa e, por isso mesmo, tem amor por ela como aquele que mais sabe a respeito da perda daquilo que lhe é mais precioso. Desse modo, ele consegue aproveitar o durante das coisas antes do fim e da partida. Bem resolvido com suas desilusões e sonhos inconcretizados, é o metafísico que assumiu sua fragilidade e inutilidade, assumiu seu idealismo e platonismo como sua mais real ilusão: o que aceitou a simplicidade e insignificância da vida sem colocar alguma importância muito grande nessa descoberta, ou em qualquer outra coisa. É aquele que sabe da morte sem criar engodos ou anestésicos, e que vê na sua finitude, e na finitude de tudo mais, seu deleite e seu gosto! É o homem do eterno retorno que não necessitou se tornar um frustrado solitário para se aceitar, e que soube assumir toda sua insignificância e desimportância no seu dizer "assim eu quis, quero e hei de querer"; é também aquele que mora no "ser" sabendo que nele não há primazia alguma além daquela do filósofo que assim concebe apenas pelo eterno prazer do durante e da angústia!