8 de junho de 2011

Sobre o tempo da eternidade

Houvera um tempo em que eu descia as escadas, cheia de esperança, com sonhos em verde limão, rosa chá, azul anil e vermelho carmim. O céu mal existia, as ruas, mal sei se as via. Via somente meus sonhos, coloridos aquarela, infantil apego à eternidade finita que já postulava meu destino. Cada pisada no chão era um salto no infinito, cada olhar, a visão daquilo que seria. Mas a vida fez questão de me mostrar que era necessário reconhecer a aquarela como tinta pra quadros, a eternidade, como alimento ilusório do durante, e a pisada no chão, como pisada no chão. Daí, em vez de completamente amarga ou de completamente doce, como é comum acontecer nessas situações, fiquei assim, agridoce, apenas com um leve peso nos olhos: coisa de quem sabe que a vida é a coisa mais difícil a se cumprir, mas que nem por isso tenta escapar da certeza instigante e dúbia que é o estar nela. Por isso sinto hoje que toda minha tristeza vem do amor... Sinto que, no fundo, minha tristeza mora dentro da felicidade pela ambiguidade da vida. Enfim, aprendi esses tempos que é preciso antes e acima de tudo amor, mas que esse sentimento só se sustenta quando acompanhado de uma boa dose  de realismo...