24 de junho de 2011

A confusão dos tempos verbais

Caminho à beira-mar, vento forte. Era de tarde, brilhava um crepúsculo maduro. Algo me escapava das mãos, que vazia estavam: trilhas no meio do mato talvez, conversas num banco de praça, abraços vazios guardados timidamente nos lençóis desarrumados. Não sei. A areia macia construiu uma casa à beira-mar, olhei para ela, está ao longe. Você estaria em uma ducha no quintal a se molhar e olhar para o mar. A ducha arrancaria algo de você, não sei o que era. Lavaria algum tipo de violência talvez que tornara-te agressividade calma e permanente, força compassada e estável, que permanecia... Olhava-te pela janela. Estava feliz. Havia um brilho sorridente e calmo em mim. Meus olhos se encheriam, vendo, pois, você embaçado através da felicidade que os preencheu. A areia em meus pés me mostra, finalmente, meus pés. Olho para frente, o grande mar impetuoso. Percebi que abandonara a casa, a ducha e a lágrima que caia. Engulo o nó bem amarrado da garganta. Ele bate no estômago como gelo e diz para mim: solitária serás, sempre foras... Diz ainda: a casa não existiu, não existia, não existe e não existirá, no máximo ela existiria, mas agora, nem isso mais... Levanto bem de vagar, já era noite. Choro de felicidade por existir, por caminhar sem propósitos pela praia, por não saber se tinha ou não uma casa para abandonar...