24 de junho de 2011

Uma homenagem

A todo o momento estás aqui, não é mesmo? E que fazer de ti? Que fazer com o vazio impreenchível que tu és? Que fazer da vontade de libertar-me de ti em conjunto da vontade de tê-lo para sempre comigo? És o companheiro mais antigo, mais amigo, e mesmo assim, não te bastas. E quantas tentativas frustradas de personalização de ti ainda terei de me reaver? Muitas, não é mesmo? Eu sei, muitas... E porque sempre a me seguir, porque sempre és só tu? Gosto de ti, mas não só de ti. Essa é a verdade... Vais-te um pouco, deixa alguém entrar, pois esse corpo já não agüenta. Os dias coloridos querem o colorir dos olhos de um outro alguém, para olhar junto também, para fazer conjunto, compartilhar isso tudo. Pois contigo é só o grande vazio junto da grande solidão, porque tu me persegues em todos os lugares e nunca me deixa amar nada que não esteja a tua altura. Que faço eu contigo, grande nada possibilitador de tudo que amo, grande liberdade por mim incompreendida? Ideal infantil e necessário que me mantém na solidão. Seria tudo um grande erro? um enorme equívoco teórico? Talvez... Mas que fazer então? Que fazer contigo? que fazer de ti, grande carinho, tender eterno, inocente e desavisado: amor – pela sabedoria...?