Ele passeia pelo bosque e senta em um banco de baixo de uma grande árvore; é noite. Fuma um cigarro. E ele sente com clareza o que quer, e sabe exatamente o que é, mesmo sem conseguir deter em palavras; mas também sabe exatamente que não pode ter. Sente seus olhos cansados. Mais um pouco de descuido e isso tudo o faria expelir o nó na garganta pelo olhos lacrimejados. Mas eles apenas brilham... brilham como um lago muito produndo e escuro à refletir as luzes incandescentes que se encontram ao longe. E a verdade é que ele sabe, sabe de tudo. Sabe da falta daquilo que nunca poderá ter, e sabe que terá de desejar esse inconcreto para sempre. E num instante agudo ocorre de repente uma grande implosão nele: algo sobe ao céu, e ele não sabe o que nem de onde saiu isso, mas sabe que é nele, que tudo isso explode pra dentro de si mesmo; e tenta esquecer, tenta jogar tudo isso para dentro de um forte trago no cigarro. Há algo como diamante neste rapaz: raro, resistente, quase eterno, que o faz pensar e sentir: "por quê? por que nunca poderei doar? dar isso à alguém?" Ele compreende o porquê, mas é difícil suportar. Porém, ele é um homem e, afinal, tudo sabe suportar. Mas isso de modo algum o faz deixar de sonhar, de nenhum modo o faz querer deixar de desejar que alguém esteja agora em algum banco, a pensar e sentir quase as mesmas coisas, a esperá-lo... É sua única saída.