10 de março de 2011

A respeito do mais secreto, fundamental e intenso dos sentimentos

Uma dor que tudo perpassa
Um sentimento que nos mostra o fundo
Um amor que nunca se acaba
Algo discreto, pesado e duro
Tal e qual um pedaço de chumbo

Abertura que nunca se fecha
Céu da tarde que nunca se apaga
Campainha dourada que a sala invade
Nuvem imóvel no estar da sacada

Pra quê tanta tristeza, meu deus
Se tudo é tão calmo quando há possibilidades?
Pra quê o carinho trancado no peito
Se tudo descansa nas flores dos vales?

Algo se me apareça, por favor!
Pois já não sei mais do que sou feita
Em que tensão me perdi completamente
E agora me encontro na rua estreita
Que me leva cantando sempre a espera
Da solidão que aos poucos de mim se apodera
Da escuridão que me cresce, cultiva e alimenta
A paixão que a cada vez mais floresce
E torna-se mais e mais... intensa

E que coisa é essa que descabe e explode
Dizendo, claramente, que tudo pode?,
E que, no entanto, só consegue acolher
um vazio...?

E eu que não sei mais parar
Tenho o sem-fundo como meu próprio lar
E vôo nos ventos mais impetuosos
Guardando a vontade de algo
que não sei nem quem o que é...

Meu deus... quando vou conseguir manter?
Quando vou conseguir me deter em qualquer coisa
que eu possa chamar de casa?
Quando, meu deus, vou poder pertencer
a algo que me pertença sem que eu precise
fugir?...