12 de março de 2011

O solitário

O reprimido é somente fruto de uma sociedade que não tem força o suficiente para suportar o diferente e o conflito, e que consegue fornecer força somente na união das fraquezas de cada um. Tal sociedade é a união de homens que não conseguem suportar o peso de um pensamento sozinhos, que não conseguem suportar carregar algum sentido em suas solidões e, para tal tarefa de suportar o viver, usam os outros para tentarem se agarrar a qualquer coisa que seja. Esses homens não têm vontade de, a partir de suas solidões, encontrar alguma outra solidão, mas apenas de não ter solidão alguma e sempre depender de outros para conseguirem fortalecer a si mesmos e existirem de algum modo. Foi dessa vontade de se fortalecer a partir da fraqueza de si que surgiu a sociedade como um “Estado”, como algo que deve ser mantido e cultivado através de regras e tentativas diversas, e na maior parte das vezes despóticas, de integração do diferente no igual. E nada disso é errado, errado é o solitário se sentir excluído e se render às regras de integração social. Mas... na verdade, somente os solitários fracos não têm capacidade de suportar viver à margem e, sendo assim, este é somente um pouco melhor do que o homem comum e merece talvez tanto desprezo quanto ele. Grande mesmo é homem que compreende a necessidade de sua solidão e a suporta: a felicidade deste jamais será compreendida pelos outros, pois somente ele conhece a felicidade suprema do suportar um abismo.