10 de abril de 2012

Incipit comoedia!

A filosofia já não me condena ao sustento do incerto que sempre conteve minha alma inteira enquanto ela se despedaçava. Tudo está certo de mais, previsível, arrumado e embasbacado com firulas de uma lógica incapaz de se retirar da mediocridade e voar até o infinito da vida. Ela virou instrumento ou, na melhor das hipóteses, estudo "psicológico" sobre a "alma" de alguns homens. (Psicológico entre aspas, pois me refiro à psicologia de Nietzsche e Dostoiévski, claro! E alma entra em aspas pois me refiro a um tipo de comportamento humano que às vezes se repete e parece criar uma essência.) Chega dessa merda toda, desses argumentozinhos pra provar, explicar, esconder, segurar ou afirmar qualquer coisa que seja. A filosofia agora é pra mim estudo sobre a "alma" humana, tal como qualquer outra coisa. Cansei da filosofia clássica, mesmo a de Nietzsche e Heidegger; só a literatura e a música talvez ainda consigam salvar alguma coisa do que sobrou nessa minha paixão desvairada por sabe-se sei lá o quê. Um rapaz olhou pra si no espelho e disse: "Não importa o quanto me olhe nessa máscara de luz, nunca conseguirei saber o que se esconde por trás dessa carcaça de reflexos tão precisos." Dois anos depois ele olha novamente pra esse mesmo espelho e diz: "Seu idiota! Larga de ser burro! Mas que ladainha é essa que você andou fazendo. Não há nada para além disso aqui! Larga a mão de ser chato!" Incipit comoedia!