Se você ainda lê esta porra: saiba que estou com saudades e que não esqueci do seu modo belchioriano da violência calma do sentir não; nem dos seus desenhos e seus textos tortos e geniais; nem da vontade demasiada de viver compartilhada e quase-contida nas bebedeiras, madrugadas e conversas em ruas e calçadas. Que tua filha Clarice esteja bem, e você bem com ela e tua esposa. Uma homagem pra ti:
"Quando eu não tinha o olhar lacrimoso
que hoje eu trago e tenho
Quando adoçava meu pranto e meu sono
no bagaço de cana do engenho
Quando eu ganhava esse mundo de meu Deus
fazendo eu mesmo o meu caminho
por entre as fileiras do milho verde
que ondeia, com saudade do verde marinho
Eu era alegre como um rio
um bicho, um bando de pardais
Como um galo, quando havia...
quando havia galos, noites e quintais
Mas veio o tempo negro e a força fez comigo
o mal que a força sempre faz
Não sou feliz, mas não sou mudo:
hoje eu canto muito mais"
Um abraço, grande amigo!