6 de julho de 2009

Vontade de futuro

A vontade de futuro novamente se instaurou: aquela sensação de vento batendo, trazendo a certeza de que ele vem até mim com tanta brandura e força porque estou caminhando com rapidez para frente, para além de tudo o que tenho... E como é boa essa sensação, havia me esquecido. Há algum tempo atrás pensava ser ela somente sofrimento, vento que batia durante uma queda; cria com ela desejar um método do caos, isso significa: um caminho pelo qual se pode de maneira precisa obter somente desordem e, através desta, desprazer. Eu tinha uma necessidade tão grande por segurança que, de antemão, dizia gostar do sofrimento; isso tudo com a intenção de deixar o desprazer mais brando quando ele viesse, já que eu estava sempre preparada para ele. Era como um dizer eterno a mim mesma: eu já sabia que isso iria ocorrer, já estava a espera da dor; não só isso, eu mesma quis que ela viesse, criei até um método para isso acontecer. Porém, o que eu sentia era somente anseio por vida que, mal compreendido por mim, causou esse horror, esse medo de tudo aquilo que me arrebatava inesperada, violenta e impetuosamente, seja dor ou prazer, e me fez criar métodos para me assegurar do futuro e me iludir acreditando que ele era ao menos um pouco controlável. Mas pra que tanta segurança?! hoje me pergunto incessantemente. Agora quero mais é me deixar levar por esse anseio tão intenso e poderoso que me arrasta pelas ruas, me faz abraçar desconhecidos, sorrir para os postes e amar tudo que há de mais banal. Quero me deixar ser arrebatada por essa força que me faz sucumbir ao riso súbito e inocente, cantar ao lavar as vasilhas, ouvir música e flutuar. Quero que o futuro me tome nos braços sem que eu nem mesmo perceba, quero viver o inesperado, ir rumo ao desconhecido, quero a abertura total para todas as possibilidades possíveis, venham delas deleite ou desgosto. Possuo hoje, ao mesmo tempo, agradecimento pelo passado e uma volição vibrante pelo futuro, sem saber dele muito além dos meus sonhos que, sei bem, nele residem. Apaixonei-me por mim mesma, pelo mundo, pelo que se passou e pelo vindouro! A verdade é que a vida me seduz de forma tão encantadora... Desculpe-me, mas é assim que ocorre comigo e não há muito o que se fazer a não ser me deixar ser seduzida pela vida dessa forma tão espetacular!