8 de outubro de 2011

Ingenuous language!

A língua inglesa é genial. Ingenuous diz: ingênuo, simples, franco; já ingenuity diz: criatividade! Vejam só. Ligam assim, na cara dura, ingenuidade e criatividade! Além disso, sem cerimônia, com o real-ize dizem o nosso perceber, estando ligado também ao "se dar conta de algo", ao compreender de um vez por todas alguma coisa. Desse modo, relacionam terminantemente percepção e realidade: o realizável é aquilo que se pode perceber! real é aquilo que se percebe. Mostram desse modo uma proximidade entre sensação e o que tomam por real: o real está na superfície perceptível; e o que pode haver de metafórico e profundo nisso, só pode morar nessa aparência mesma. Mostram-se mais próximos também do ato de só se dar conta de algo (ou, podemos dizer, de só compreendem inteiramente algo, no sentido de descobrir, apreender totalmente algo a partir de seu mistério), quando este algo é realizável, perceptível. Realizar, pôr em obra, perceber, se dar conta, descobrir, apreender de uma vez por todas, estão completamente próximos nessa linguagem. (Talvez por isso sejam pragmáticos!! ligam o real ao prático, ao ato, ao feito.) Ou seja, são mais aptos a relacionar simplicidade e criatividade e, ainda por cima, unem de alguma forma aparência e realidade! Isso não é pouca coisa. Pergunto-me então: por que criticar o inglês naquilo que ele tem de mais genial?: ser superficial, por profundidade; tal diria a respeito do gregos um alemão! Que morram de inveja todos os marxistas (também os enrustidos) que têm preconceito contra uma língua tão simples e bonita como essa! Claro que não tiro o mérito da riqueza da língua alemã, por exemplo, que tem muito mais recursos para expressar coisas diversas e também mais estruturas para dar uma maior precisão às frases do que a língua inglesa. E isso também é inacreditavelmente bonito e instigante! Mas uma coisa não anula a outra. Por que querer só a precisão? querer só o peso e a profundidade? Eu mesma gosto bastante do peso e da profundidade, mas por que querer só eles o tempo todo? Por que querer, por exemplo, estudar só Habermas? Ora! Estudemos Habermas, mas também estudemos Rorty! (Pausa) A diferença é como se fosse algo divino! fico emocionada só de pensar que existe tanta diferença no mundo!