Por que quase tudo se afasta de mim? Por que a grande maioria das coisas não me prende? Por que a solidão parece sempre, no final, me puxar e arrebatar? Há tanto choro em mim agora que ultrapassa o próprio ato de chorar; mas não quero fazer deste choro lamúria. Ele é um choro de coragem! É por coragem que me disponho a novamente caminhar pelo deserto. Sei como vai ser daqui para frente: a agonia, o desespero, a vontade de retorno àquilo a que não posso retornar. Mas desta vez, talvez pela primeira vez, sei: estou sozinha, ninguém, absolutamente ninguém poderá me acompanhar. Ainda bem que tenho as palavras, nelas me redimo e me aconchego, faço-me grande. E que o desconhecido permaneça sempre a minha espreita, a esperança a me perseguir, o infinito em meu horizonte, e ― desta vez, mais uma coisa convido a me acompanhar, ― a coragem! Para que assim eu não sucumba, não me perca no desânimo e no lamento. Assim hei de ser grande, mesmo que não tanto, mesmo que aos pouquinhos, hei de ser grande, pois só assim é possível agora, a mim, continuar vivendo...