O vazio é tamanho que mal poderia encaixar algo que se equiparasse ao que lhe compete, talvez nem mesmo palavras; logo elas, às quais pertence a maior solidão, imensidão e infinitude. O sol nascendo agora, talvez, devorando a imensidão da madrugada, pudesse ao menos chegar perto de preencher ao menos a metade da metade de tal abismal sentir. Algo próximo da infinitude e totalidade da morte, mesclado à incondicionalidade e eternidade de um amor maternal; algo no entre do terror da inexistência e do amor completo e pleno por aquilo que já morreu. Caminhar necessário e descompassado que me levou a perder-me. Eterno sonho inconcretizável, perene horizonte de luz matinal: inesvaível, insondável, intransitável... Infinita luz fantástica da eterna aurora de meus desejos, luz branda dos picos vibrantes das montanhas de minha permanente esperança perdida. Arco-íris intocável que nunca se foi... Pouco importa o fazer-se dos sonhos agora, mesmo que eles se façam a todo o momento, pois meus sonhos já não são mais horizontes, são muros intransponíveis, pedras irretiráveis. (Longa pausa) Se cresse em Deus, rezaria a ele para que isso tudo acabasse.