Hoje se me apareceu algo, que de tão forte e arraigado em mim, não posso dizê-lo, pois, se o dissesse já o estaria perdendo. Por isso, ele só permanecerá como esse algo se for em forma de segredo, em forma de algo que necessita ser secretamente guardado, a fim de não permitir que seja desvendado e destruído pelas formas objetivas e pobres que poderão se impor sobre ele. Tenho de esperar para contá-lo, inclusive para contá-lo a mim mesma; somente os ouvidos certos na hora certa conseguirão mantê-lo. É por esses ouvidos que espero, é por eles talvez que esperei e esperarei minha vida inteira. Talvez é somente na relação inconcreta com esse ouvido atento é que, a mim, ainda algo seja possível...