Palavras só desgastam, cansam - só explicam; apenas saem das bocas e entram por ouvidos de cérebros que fingem compreender. Palavras só são uma fuga da realidade, inibem a interpretação dos atos, dos movimentos. Palavras não têm serventia, são apenas símbolos que jamais poderão descrever um verdadeiro abraço.
Pra que tantas palavras se os momentos encontram-se em si mesmos? De que vale as sensações plastificadas se o segredo do sentir foge das palavras? A poesia faz nada mais do que tentar fugir das palavras com as próprias palavras. A verdade é que a beleza é uma fuga das palavras. Talvez devêssemos falar e escrever menos e sentir mais. Matamos a realidade com as palavras! Sem elas perceberíamos mais sutilezas, diferenças, pequenas coisas, em vez de enquadrar o extraordinário num conceito pré-estabelecido.
(Esse é um lindo texto de 2007. Relendo isso hoje, em 2010, digo: a poesia, sendo a única que consegue atingir o inefável com as próprias palavras, é também a única que consegue expressar a realidade em sua genuinidade e fazer com que ela se torne mais real!)